Caso Atina: Inovação na cadeia de produtos da biodiversidade

18/10/2012
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Eduardo Roxo é biólogo e sócio-fundador da Atina. Seu histórico de envolvimento com a candeia começa em 2000, quando Eduardo era consultor especializado em planejamento e gestão ambiental, e foi contratado pela Natura para realizar diagnósticos de sustentabilidade de ativos da biodiversidade brasileira utilizados pela empresa, entre os quais o Alfa-Bisabolol.  Ao identificar a ilegalidade da cadeia produtiva da candeia, a Natura suspendeu o uso do Bisabolol e o substituiu por um similar sintético.

Estimulado pelas características únicas da candeia e pelas propriedades do Bisabolol, e intrigado com a falta de estruturação da cadeia da candeia, Eduardo vislumbrou a oportunidade de produzir o Bisabolol com garantia de rastreabilidade. A ideia parecia tão boa que Eduardo conseguiu envolver sua amiga Cristina Saiani, agrônoma que até então trabalhava na área de marketing de uma grande empresa. Assim, os dois elaboraram um Plano de Negócios, defenderam a ideia junto a investidores e por fim conseguiram viabilizar o projeto. Em 2005 a Atina iniciou sua operação, já com certificação do FSC para o Bisabolol de candeia, e conquistou a Natura como primeiro cliente.

Apesar do início promissor, se depararam com um cenário complexo e desanimador: o mercado era dominado por distribuidores europeus, que compravam o produto brasileiro sem nenhuma exigência de rastreabilidade ou sustentabilidade. O Bisabolol era considerado uma commodity, a origem florestal não era reconhecida como valor, e a indústria cosmética não se dispunha a pagar um prêmio pela garantia de origem.

Apesar do esforço dos investidores e executivos em levarem a ideia adiante, a empresa não conseguia remunerar o alto custo da legalidade e da certificação, até o ponto em que o negócio se mostrou inviável e operação foi suspensa, no final de 2009. Após tentativas frustradas de reestruturação societária e com as operações paradas por seis meses, a Atina estava prestes a ir a leilão. Foi então que Eduardo e Cristina conseguiram atrair outro sócio, que se dispôs a comprar a participação dos primeiros investidores e apostar no negócio, com foco na diversificação do portfolio. Em maio de 2010 a Atina voltou a produzir Bisabolol regularmente, agregou a certificação orgânica Ecocert, à qual o mercado 

cosmético é mais sensível, e iniciou uma série de investimentos em estrutura, equipamentos e pessoal.

Hoje a Atina é reconhecida como referência na produção de Bisabolol de candeia, e continua a ser a única empresa do segmento a oferecer produto certificado. Recentemente, lançou as primeiras inovações de seu portfolio, com destaque para o extrato de juçara, outra espécie ameaçada da Mata Atlântica, predada por seu delicioso e inigualável palmito.