Caso Estação Resgate: Inovação no tratamento de resíduos

18/10/2012
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Com histórico de atuação no setor da mineração, onde passou anos trabalhando e investindo em uma fábrica de explosivos, Gilberto Meirelles sempre teve uma cunha de empreendedor. Após sentir necessidade de trabalhar com algo mais vinculado a sustentabilidade, passou três anos na Amazônia, onde se envolveu com o Instituto Peabiru em projetos de geração de renda para comunidades tradicionais e começou a conceber a ideia da Estação Resgate.

De volta para São Paulo, Meirelles fundou a empresa em 2007 e iniciou as atividades em 2009 montando na Zona Sul a primeira usina privada de reciclagem de entulho da cidade. Atualmente a empresa possui oito usinas de reciclagem de entulho, localizadas nos estados de São Paulo, Minas Gerais, Rio de Janeiro, Pernambuco e Goiás, e tem como objetivo para os próximos três anos crescer para 28 unidades. Como o sucesso do negócio dependia da replicabilidade do modelo, a empresa possui um conjunto de ações que orientam a instalação de novas usinas chamado de “tripé da Estação Resgate”.

Um dos pilares do tripé consiste em identificar um(a) gestor(a) local que conheça as particularidades do município onde a usina será instalada para se tornar sócio(a) e poder administrar o empreendimento. Outro tripé consiste em buscar construir uma boa relação com o poder público, podendo haver trocas e colaborações, ainda mais dentro do contexto de elaboração do Plano Municipal de Gerenciamento de Resíduos Sólidos. O último consiste na própria expertise e metodologia da Estação Regate.

Com a PNRS, a demanda de empresas em relação ao gerenciamento dos resíduos tem crescido tanto que a Estação Resgate passou a oferecer consultoria na elaboração e operacionalização do plano de gerenciamento de resíduos da indústria da construção civil.  Além de ampliar a gama de soluções oferecidas, a consultoria prestada pela empresa contribui para o aumento na qualidade do descarte desses resíduos e, por consequência, diminui o tempo necessário na etapa de separação do lixo no entulho.

Os principais desafios vividos pela Estação Resgate e mencionados por Meirelles recaem na ausência de fiscalização (por parte do poder público) no descarte correto dos resíduos e na falta de adaptação e até mesmo resistência do setor da construção civil às mudanças impostas pela PNRS e ao produto reciclado oferecido. “Nem sempre a inovação precisa estar inserida em novas tecnologias. A inovação está no atendimento a uma necessidade presente no dia-a-dia das empresas, trazendo ingredientes simples e combinando-os com uma visão de tornar os processos mais eficientes”, afirma Gilberto Meirelles