Caso Tramppo: Inovação no tratamento de resíduos

18/10/2012
COMPARTILHE

 

A Tramppo nasceu em 2003, no Centro de Inovação, Empreendedorismo e Tecnologia – CIETEC, sediado no prédio do Instituto de Pesquisas Energéticas e Nucleares – IPEN da Universidade Estadual de São Paulo- USP. Durante seis anos a Tramppo foi incubada pelo Centro, onde desenvolveu a tecnologia de descontaminação de lâmpadas fluorescentes, e a partir de 2008 começou a operar comercialmente com ajuda dos recursos obtidos desde 2006 pelo Programa de Investimento em Pequenas Empresas – PIPE, da FAPESP, migrando para o local atual da fábrica.

Foi com a entrada de Carlos Alberto Pachelli, atual diretor comercial, que a empresa avançou em planejamento e estratégia de vendas. Com histórico de atuação na área de marketing do mercado farmacêutico, Pachelli se tornou sócio da Tramppo em 2007, sendo responsável para área Comercial e Tecnologia e passando a gerir a empresa junto a Elaine Menegon Chermont, sócia desde 2005 e responsável pela área Financeira e Assuntos Regulatórios.

Os recursos disponibilizados pelo PIPE possibilitaram a montagem do laboratório de experimento, a construção dos protótipos e investimentos na gestão, como aspectos logísticos e de qualidade. Os avanços técnicos contaram com a participação da pesquisadora Doutora em Bioquímica Atsuko Kumagai Nakazone, que recebeu bolsa do CNPq para orientar o esenvolvimento da pesquisa. 

Atualmente com mais de 600 clientes, a empresa tem experimentado um bom desempenho desde o início das suas operações comerciais. Seu faturamento inicial, em 2008, foi de R$ 220.000,00 e no ano passado chegou em R$ 2.100.000,00. A expectativa para esse ano é atingir um faturamento em torno de três milhões de reais.

Em 2003, quando a tecnologia começou a ser desenvolvida, o Brasil ainda dava seus primeiros passos em relação ao descarte de lâmpadas fluorescentes. A inovação, motivada por uma oportunidade de negócios aliada a uma causa ambiental, inaugurou um processo produtivo que possibilitasse a transformação de um resíduo contaminante, no caso a lâmpada fluorescente com mercúrio, em matéria prima. Apesar da receita da empresa ser quase inteiramente proveniente da venda do serviço, os subprodutos do processo de descontaminação das lâmpadas são vendidos para indústrias:

- O vidro e o pó fosfórico descontaminado, vão para a indústria de cerâmica; 

- O metal vai para indústria de fundição;

- O mercúrio é encaminhado para um instituto de pesquisa.

Um dos entraves identificados pela Tramppo, em relação às suas atividades, recai na falta de padronização e definição da legislação, principalmente no que abrange o transporte das lâmpadas. Isto ocorre pois além de não haver uma padronização nesse processo, as exigências no transporte de lâmpadas usadas são bem maiores que no transporte de novas, que contêm a mesma quantidade de mercúrio, o que acaba por encarecer o processo e inviabilizar a retirada de lâmpadas em menores quantidades. No entanto, com as exigências da PNRS na elaboração de planos de logística reversa para o descarte de lâmpadas, Pachelli acredita que essa falta de definição e despadronização será sanada.