Empresas se reúnem para conhecer casos de inovação em distribuição e logística

3ª oficina do projeto ISCV em 2015 apresenta casos de micro e pequenas empresas com soluções inovadoras que contribuem para a sustentabilidade na logística 11/09/2015
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Local: FGV-EAESP
Data: 02 de setembro de 2015 Projeto: Projeto Inovação e Sustentabilidade na Cadeia de Valor (ISCV) Participantes: Representantes das empresas membros das Iniciativas Empresariais do GVces e convidados Apresentação: Ana Coelho (GVces), Luiz Fernando Gomes (Lotebox), Munir Soares (GVces), Paulo Branco (GVces)
Texto: Bruno Toledo (GVces)  

O setor de distribuição e logística no Brasil traz consigo gargalos que impactam diretamente em toda a economia nacional. Dificuldades para escoar a produção agrícola, para estocar e transportar produtos para os mercados interno e externo – tudo isso se reflete em custos que acabam tirando competitividade do Brasil frente a economias similares com condições logísticas melhores, como a China e a Rússia. Nesse contexto, não basta apenas investir na expansão da infraestrutura: é preciso desenvolver soluções inovadoras e disruptivas, que impulsionem mudanças profundas e significativas na forma como pensamos e fazemos distribuição e logística no Brasil. Mais do que isso: essas soluções precisam incorporar aspectos de sustentabilidade, de forma a qualificar o Brasil no mercado internacional.

Para o projeto Inovação e Sustentabilidade na Cadeia de Valor, um caminho para se chegar a essas soluções está na flexibilidade e disposição para inovar das pequenas empresas (MPE) dedicadas a este setor – e muitas MPE já desenvolvem produtos e serviços com esse alinhamento inovador voltado para sustentabilidade. Na 3ª oficina do ciclo 2015 do projeto ISCV, realizada em 02 de setembro na FGV-SP, oito delas tiveram a oportunidade de apresentar essas soluções e de trocar experiências e impressões com especialistas e com representantes de grandes empresas.

DISTRIBUIÇÃO E LOGÍSTICA: CASOS SELECIONADOS

Temos aqui empreendedores no ramo de logística e distribuição que dedicaram muito tempo de suas vidas para entender e trabalhar essa questão, e temos também grandes empresas com desafios importantes nessa área. Com essa oficina, queremos explorar ao máximo as oportunidades de negócios e parcerias entre micro e pequenos empreendedores com soluções inovadoras e grandes empresas. - Paulo Branco, vice-coordenador do GVces

A chamada de casos promovida pelo projeto ISCV procurou experiências de MPE com soluções de produtos e serviços com atributos de sustentabilidade na área de distribuição e logística. Foram inscritos 19 casos, sendo que 11 deles foram pré-selecionados para visitas de campo e conversas com a equipe do GVces. Destas 11, oito MPE foram selecionadas para participar do ciclo 2015 de ISCV.

  • Carteiro Amigo: Nascida na Rocinha, a empresa oferece serviços de entrega de correspondência em localidades sem logradouro, numeração e/ou cadastro na prefeitura. Atualmente, possui franquias em mais de 10 comunidades na cidade do Rio de Janeiro.
  • Courrieros - Entregas Ecológicas: Uma das primeiras empresas em São Paulo a oferecer serviços de logística urbana sustentável, que usa bicicletas e outros modais elétricos para realizar entregas livres de CO2 para pequenas encomendas ou documentos.
  • GOFRETE: Plataforma WEB de gestão de fretes, da contratação à entrega do produto. O sistema enxerga todas as etapas do frete, descobre as melhores ofertas e conecta o transportador ao embarcador. Possui também uma plataforma para fretes colaborativos.
  • Intelipost: Sistema em nuvem para gestão de fretes fracionados via inteligência SaaS, que conecta embarcadores com transportadores.
  • Logpyx: Oferece serviço de gestão que otimiza o fluxo de veículos dentro das instalações de uma empresa, reduzindo o tempo de permanência nos locais, aumentando a fluidez do processo e prevenindo fraudes.
  • LOTEBOX: Sistema para apoiar e conectar ofertantes e demandantes de fretes marítimos internacionais, gerando aumento de 30% na performance operacional com automação dos processos.
  • Truckpad: A empresa viabiliza a utilização de smartphones para oferta de serviços e contratações de frete por caminhoneiros, tornando a gestão de cargas mais eficiente e ágil para empresas e gerando maior e melhor oferta de transporte para os caminhoneiros.
  • Resolution: Atua como uma ponte entre os geradores de resíduos sujeitos à logística reversa (dentro da Política Nacional de Resíduos Sólidos) e a indústria de tratamento ambiental e reciclagem, oferecendo soluções logísticas flexíveis e compartilháveis a todos os elos da cadeia de responsabilidade compartilhada.

Durante a oficina, cada uma das MPE selecionadas puderam apresentar seus negócios, produtos e serviços aos participantes do projeto ISCV e especialistas convidados – Andrea Piazza (Inseed Investimentos), Manoel de Andrade e Silva Reis (GVcelog/FGV), Priscila Laczynski (GVcelog/FGV), e Wilson Nobre (EAESP/FGV). Durante as conversas, representantes de MPE e de grandes empresas trocaram impressões sobre os desafios do setor de distribuição e logística no Brasil e sobre o potencial das soluções inovadoras apresentadas pelas MPE selecionadas dentro desse mercado e especificamente nas cadeias de valor das empresas ali representadas.

Muitas vezes, as pequenas empresas conseguem desenvolver soluções mais sustentáveis, mas não têm a clareza do que isso significa enquanto oportunidade de negócio. Essas empresas precisam entender isso e aproveitar os aspectos de sustentabilidade contemplados em seus produtos e serviços. - Cristina Fedato, consultora do projeto ISCV

O CASO DA LOTEBOX

Durante a oficina, uma das MPE selecionadas pelo projeto ISCV foi convidada para apresentar sua experiência: a LOTEBOX, uma startup voltada para facilitar processos de distribuição e logística marítima internacional.

A LOTEBOX usa ferramentas tecnológicas para maximizar espaço utilizado em contêineres de transporte marítimo, de forma a economizar custos de exportadores e importadores. Desde sua criação em 2013 no Recife, a partir da identificação de uma série de problemas, desafios e oportunidades relacionados às operações do Porto de Suape, a empresa traçou uma clara estratégia de internacionalização e hoje já atua em outros seis países, além do Brasil.

A ideia chamou a atenção no exterior. Em dezembro de 2013, a empresa foi selecionada para o Start-Up Chile, uma das maiores incubadoras latino-americanas de negócios inovadores. No ano passado, a LOTEBOX também foi convidada a participar da aceleradora PlugAndPlay Tech Center, aceleradora especializada em companhias para a área tecnológica no Vale do Silício (EUA). Essas experiências serviram para aperfeiçoar o modelo de negócio da empresa, alinhando os seus serviços às necessidades de seu público potencial.

Clique aqui para mais informações sobre o ciclo 2015 do projeto Inovação e Sustentabilidade na Cadeia de Valor.

Fotos: Yantra Imagens | Divulgação: GVces - FGV/EAESP