Gestão de fornecedores: Grupo de trabalho avalia indicadores para compras sustentáveis

Além de analisar o conjunto de critérios e indicadores apresentados pela equipe, o grupo também conheceu experiências de promoção da sustentabilidade para a cadeia de valor de grandes empresas 28/08/2013
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Bruno Toledo
 
O grupo de trabalho (GT) sobre gestão de fornecedores do projeto Inovação e Sustentabilidade na Cadeia de Valor (ISCV) se reuniu novamente no último dia 21 para avaliar os critérios e indicadores para compras sustentáveis elaborados pela equipe do GVces a partir dos temas priorizados pelas empresas membro durante o primeiro encontro, em maio passado.
 
Além de avaliar os indicadores a partir da sua materialidade (relevância para a empresa e seus stakeholders), sua aplicabilidade nas políticas, processos e práticas da empresa, e sua viabilidade e abrangência, os participantes do GT também discutiram experiências práticas e conheceram mais sobre a iniciativa do Grupo Boticário na área de gestão e desenvolvimento de fornecedores voltado para a sustentabilidade.
Indicadores para compras sustentáveis
 
Em seu primeiro ciclo, no ano passado, o projeto ISCV trouxe a discussão sobre como as grandes empresas podem utilizar a gestão e o desenvolvimento de fornecedores como uma forma eficiente de induzir e promover a sustentabilidade em sua cadeia de valor, em especial junto aos pequenos e médios fornecedores. Na época, os participantes do projeto apontaram o papel indutor de critérios de sustentabilidade nas compras como um dos pontos prioritários dentro desse tema.
 
Neste Ciclo 2013, o projeto manteve seu esforço no tema da gestão de fornecedores através de um grupo de trabalho com o objetivo de construir coletivamente de indicadores que possam ser incorporados pelas empresas brasileiras. “Estamos em uma estrada semelhante àquela construída no campo das mudanças climáticas e da gestão de gases do efeito estufa”, argumenta Paulo Branco, vice-coordenador do GVces. “Com este GT, queremos começar a construir formas de mensurar, relatar e verificar as compras sustentáveis – ou seja, um MRV para compras sustentáveis”.
 
No primeiro encontro do GT, os participantes destacaram alguns critérios prioritários para o desenvolvimento dos indicadores, organizados em quatro dimensões estratégicas – relações de trabalho (saúde e segurança, combate ao trabalho análogo ao escravo), relacionamento com stakeholders (corresponsabilidade na cadeia produtiva), ética e integridade (combate à corrupção, transparência), e gestão ambiental (gestão de resíduos, alocação eficiente de recursos energéticos).
 
Com base nessas definições, a equipe do projeto apresentou aos participantes uma proposta de indicadores organizados a partir de dois focos de análise (empresa compradora e empresa fornecedora), três abordagens (prática do comprador, relação comprador/fornecedor, e prática do fornecedor) e três conjuntos de indicadores (políticas, processos, e práticas). Os participantes foram convidados a analisar e avaliar a proposta, além de apresentar contribuições para o seu aperfeiçoamento.
 
“Queremos aprimorar o material a partir das contribuições apresentadas pelas empresas membro, trazer isso para nosso próximo encontro e estabelecer um compromisso de implantação nas empresas, de forma a mobilizar outras organizações para essa proposta”, disse Paulo Branco. Para isso, a equipe do projeto continuará recebendo contribuições a partir de uma consulta aberta para os seus participantes.
A experiência do Grupo Boticário
 
Além de discutir a proposta de indicadores para compras sustentáveis, o encontro do GT também contou com a presença de Gustavo Vidal, coordenador de sustentabilidade do Grupo Boticário, que falou sobre o trabalho de gestão e desenvolvimento de fornecedores voltados para a sustentabilidade.
 
“Temos um posicionamento claro de implementar medidas necessárias para melhorar os impactos sociais e ambientais nos negócios em suas respectivas cadeias de valor, fugindo da perspectiva do assistencialismo e com foco no desenvolvimento conjunto e na criação de valor compartilhado”, explica Vidal.
 
Este trabalho é realizado a partir de três níveis de engajamento com stakeholders. Primeiro, através de ferramentas de comunicação – como o website, o relatório de sustentabilidade e uma newsletter (e-news) – que orientam a prática da sustentabilidade na gestão e ações dos fornecedores. Segundo, o desenvolvimento de fornecedores, mobilizando e promovendo ações – como oficinas de treinamento, guias setoriais e monitoramento através de questionários de auto avaliação – no negócio e gestão dessas empresas. Finalmente, a atuação em parceria a partir de projetos e iniciativas coletivas que gerem resultados e benefícios ganha-ganha – como o Programa Na Mão Certa, organizado pela Childhood Brasil para combater a exploração sexual de menores nas estradas e rodovias brasileiras; no caso deste projeto, o Grupo Boticário patrocina o treinamento de funcionários de transportadoras e embarcadoras, que acabam servindo como pontos focais e multiplicadores, além de distribuir cartilhas orientadoras para os funcionários desses fornecedores.
 
O acompanhamento da evolução dos fornecedores é uma preocupação para o Grupo Boticário. Além dos questionários segmentados de auto avaliação, preenchidos pelos fornecedores estratégicos da empresa, o Grupo também realiza visitas técnicas a essas empresas. “Um desafio importante para nós é buscar uma forma para replicar a estratégia de sustentabilidade para toda a cadeia de valor, especialmente para os fornecedores indiretos”, aponta Vidal.
 
Fotos: Felipe Frezza (GVces)