Grupo de Trabalho discute a construção de indicadores e critérios para compras sustentáveis

Proposta do GT é aprofundar um dos temas priorizados no ciclo 2012 para gestão sustentável de fornecedores: o desenvolvimento de critérios de compras sustentáveis como fator indutor de mercado 20/05/2013
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Bruno Toledo

Integrar sustentabilidade nas práticas de relacionamento e gestão de fornecedores através da criação de um conjunto de temas e indicadores para compras sustentáveis. Esta é a proposta do grupo de trabalho (GT) montado pelo projeto Inovação e Sustentabilidade na Cadeia de Valor (ISCV), e que se reuniu pela primeira vez no dia 08 de maio passado na FGV-SP.

A ideia para a constituição desse grupo veio de uma experiência vivenciada pela equipe do projeto durante o ciclo 2012, como explica a pesquisadora do GVces Ana Coelho. “A proposta deste GT surgiu como uma demanda das empresas-membro na segunda oficina do ano passado, quando identificávamos quais seriam os assuntos prioritários para avançarmos com inovação na gestão sustentável de fornecedores”. Dentre outros temas, duas questões foram levantadas nessa ocasião, e serviram para motivar a criação do GT: alinhamento das estratégias corporativas de sustentabilidade e de suprimentos, e do tripé preço/qualidade/prazo com critérios socioambientais.

Para tanto, as atividades deste GT serão apoiadas pelo programa do GVces Consumo Sustentável, que busca promover práticas mais sustentáveis de consumo por parte de empresas e governos através da produção de ferramentas de gestão de compras e contratações institucionais e da orientação para formar gestores de compras. Neste primeiro encontro, a coordenadora do programa, Luciana Betiol, conversou com os participantes do GT sobre os instrumentos e os atores relevantes para a transição para um consumo mais sustentável. Para ela, o poder público é um ator importante e indispensável para fomentar as compras sustentáveis por causa de seu poder de compra e de influência sobre o mercado. “A administração pública federal gasta mais de R$ 600 bilhões por ano com a compra de produtos e contratação de serviços”, argumenta Luciana. “Desde 2009, o Brasil tem normas que expressamente apresentam as contratações públicas como instrumento econômico para promover o desenvolvimento sustentável do país”. Essa nova realidade normativa sinaliza para a iniciativa privada mudanças profundas nos critérios de qualidade exigidos pelo governo nos produtos e serviços comprados. É exatamente neste ponto que as empresas podem fazer a diferença na promoção de um consumo mais sustentável. “As contratações públicas não resolverão sozinhas esta questão, pois dependem do setor empresarial produzir e fornecer os produtos e serviços com essa qualidade”, explica Luciana Betiol.

O intuito do primeiro encontro do GT foi selecionar, no âmbito do grupo, temas para a construção dos indicadores propostos. A equipe do ISCV pré-selecionou 19 temas distribuídos em quatro dimensões (relações de trabalho, relacionamento com stakeholders, ética e integridade, e gestão ambiental), levando em consideração aspectos regulatórios e de autorregulação. Estes temas foram validados pelos participantes em grupos e depois selecionados por meio de votação individual. A partir disso, o GT identificou seis temas para a construção de indicadores: saúde e segurança do trabalho, combate ao trabalho análogo ao escravo, corresponsabilidade na cadeia produtiva, transparência e combate à corrupção, gestão de resíduos, e alocação eficiente de recursos energéticos.

Estes indicadores serão complementados com exemplos de boas práticas, apontados pelas próprias empresas participantes, que serão selecionados através de um questionário de mapeamento de iniciativas em gestão de fornecedores. O GT se encontrará mais duas vezes em 2013, para concluir a priorização e fazer a seleção de indicadores e boas práticas e, finalmente, para validar os critérios e os indicadores consolidados pelo grupo.

Fotos: GVces